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Inflação das carnes ameaça ceia de Natal e churrasco da família – o que está por trás disso

Inflação das carnes ameaça ceia de Natal e churrasco da família – o que está por trás disso
Rodrigo Brito
Por: Rodrigo Brito
Dia 19/12/2020 19h53

O preço das carnes disparou ao longo deste ano. O consumidor que tentou fazer substituições precisou ser muito criativo, pois o aumento atingiu tanto a carne bovina quanto a suína.

Por Fabiana Futema via 6 Minutos

O preço das carnes disparou ao longo deste ano. O consumidor que tentou fazer substituições precisou ser muito criativo, pois o aumento atingiu tanto a carne bovina quanto a suína. A alta das aves e dos ovos não ficou muito atrás, mas foi menos intensa.

O que está por trás desse aumento? Essa alta é resultado da combinação de dois fatores, segundo André Braz, coordenador dos Índices de Preços da FGV (Fundação Getulio Vargas).

“Foram dois fenômenos e todos por culpa da desvalorização cambial. Ela encareceu o custo de criação de aves e suínos, pois as rações utilizam derivados da soja e do milho, commodities que tiveram aumento do preço em dólar. E a desvalorização tornou nosso país mais atrativo para outros países. A China, que já comprava muita carne, passou a importar ainda mais”, disse ele.

Tudo isso, segundo Braz, acabou desabastecendo o mercado brasileiro. “É a lei de oferta e procura. Com menos oferta, o preço subiu mais.”

Inflação das carnes ameaça ceia de Natal e churrasco da família – o que está por trás disso


Os preços vão cair? Essa queda já começou no atacado, segundo Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador da área de pecuária do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. “Na comparação de dezembro contra novembro, já observamos uma queda nos preços das carnes bovina e suína.”

No atacado, segundo levantamento feito por Carvalho, o aumento também foi maior para a carne bovina. Na comparação de dezembro contra novembro, entretanto, as carnes bovina e suína ficaram mais baratas, enquanto o frango aumentou.

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Por que as carnes subiram no atacado e agora estão caindo? As exportações, segundo Carvalho, que foram o fiel da balança de preços neste ano começaram a diminuir. “E o mercado doméstico não está tão aquecido como era de se esperar nesta época de fim de ano, pois os preços estão muito altos”, afirma o pesquisador do Cepea.

Essa queda não vai chegar ao consumidor? Não é porque o preço caiu no atacado que isso vai ser repassado automaticamente para o varejo. Por conta da demanda de carnes para festas de fim de ano, como aves de Natal e pernil de Réveillon, costuma haver aumento de preços. “Tradicionalmente, há aumento de preços nesta época.”

Como fica a ceia de Natal e o churrasco de confraternização? Pressionadas por essas altas de preços. “As ceias de Natal e Réveillon vão ficar mais caras, pois o custo de produção aumentou. O produtor pagava no começo do ano R$ 35, R$ 40 no saco de milho. Agora, está pagando R$ 85. É impossível manter o preço”, afirma Ricardo Santin, presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).

Como ficam os preços em 2021? Mesmo a carne suína e o frango, que foram os principais substitutos da carne bovina, devem ficar mais caros. “O farelo de soja e de milho representam 70% do custo de produção. Esses insumos aumentaram mais de 60%, é impossível não ter reajuste. Durante esse ano, alguns produtores tinham estoque comprado a preços menores. Mas a reposição desse estoque custou caro”, afirma Santin, da ABPA.

E o fim do auxílio emergencial? Santin não acredita que o fim do benefício, previsto para 2021, reduza o consumo de carne suína, frango e ovos. “Já passamos da redução do auxílio de R$ 600 para R$ 300 e não houve redução no consumo”, diz o presidente da ABPA.

No caso da carne bovina, os preços devem continuar sendo balizados pelas exportações e a oferta para o mercado interno. “Por mais que se reduza a exportação, elas vão continuar em alta por conta da crise sanitária”, diz Carvalho, do Cepea.

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